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Blog: Governança familiar: tendências, importância e o case do Grupo Algar 

Por Marianna Garcia, acionista da quarta geração do Grupo Algar e coordenadora de Marca e Relações Institucionais 


Governança não é um fim em si mesma, mas a estrutura que sustenta decisões responsáveis e assegura a perenidade de empresas familiares ao longo das gerações.

Na prática, a governança exerce papel essencial ao estruturar e formalizar a distinção entre os papéis da família, da propriedade e da gestão: define responsabilidades, alçadas e critérios de decisão; assegura transparência e equidade entre os sócios familiares; prepara a organização para processos sucessórios consistentes; e preserva o legado sem comprometer a capacidade de inovação e adaptação ao longo do tempo.

Em empresas familiares longevas, como o Grupo Algar, a governança atua como um ponto de equilíbrio saudável entre estratégia e legado. Ela garante que o crescimento aconteça de forma responsável, sem diluir valores, e que a história construída ao longo de gerações não se transforme em um limitador para a evolução do negócio. 

Por aqui, entendemos que governança não é um fim em si mesma, mas um meio para assegurar perenidade, confiança e responsabilidade. É ela que estrutura a relação entre propriedade e gestão, fortalece o diálogo entre acionistas e lideranças executivas, prepara o negócio para ciclos contínuos de transformação. Ao mesmo tempo, preserva o legado construído ao longo de quase um século, sem comprometer a capacidade de inovar e evoluir.

O olhar de dono como diferencial competitivo 

No Grupo Algar, acreditamos que servir também é exercer a governança corporativa com responsabilidade. É a partir desse princípio que evoluímos continuamente em nossas práticas e estruturas, sendo hoje reconhecidos pelo mercado como uma referência em governança, com um modelo que combina solidez, ética e visão de longo prazo.

Adotamos uma governança orientada à perenidade, pautada por princípios internacionalmente reconhecidos. Nossas decisões estratégicas são conduzidas de forma ética, estruturada e fundamentada, assegurando uma gestão alinhada aos interesses de longo prazo dos nossos stakeholders. 

Contamos com uma estrutura de governança bem definida, composta por Conselho de Administração, Diretoria Executiva e órgãos de assessoramento, como comitês e comissões. Esses fóruns promovem uma articulação estratégica consistente entre a Holding e as empresas investidas, garantindo alinhamento, disciplina decisória e clareza de direcionamento. 

A Família Garcia segue à frente dos negócios do Grupo, atualmente sob a liderança da terceira geração. Ao mesmo tempo, a quarta geração também já atua na operação, mantendo vivo o propósito que nos guia até hoje: ser Gente servindo Gente.

Enquanto acionistas que também atuam na operação, compreendemos a importância do chamado “olhar de dono”. Trata-se de uma postura que vai além da posição societária. Ela se traduz em responsabilidade com o todo, visão de longo prazo, senso de pertencimento e compromisso genuíno com a sustentabilidade dos resultados. 

A proximidade com a operação amplia nossa capacidade de compreender riscos, oportunidades e impactos estratégicos, sem comprometer a clareza de papéis entre propriedade e gestão.

Esse modelo fortalece a cultura organizacional, aproxima lideranças e associados – como chamamos nossos colaboradores – e reforça princípios fundamentais para empresas familiares longevas: decisões responsáveis, equilíbrio entre legado e inovação, ética nas relações e geração de valor sustentável no longo prazo. 

O reconhecimento desse trabalho também é validado externamente. Em 2025, por exemplo, o Grupo Algar conquistou o segundo lugar no Prêmio Família de Impacto, promovido pela FBN Brasil, organização global voltada a famílias empresárias. A premiação reconhece iniciativas que geram impacto relevante e sustentável nas frentes de transformação do negócio, e ESG, reforçando os resultados concretos da nossa governança ao longo dos anos. 


O legado de Alexandrino Garcia 

A trajetória de 95 anos do Grupo Algar é sustentada pelo legado do nosso fundador, meu bisavô Alexandrino Garcia. Sua visão empreendedora sempre esteve acompanhada de um profundo senso de responsabilidade social e humana. 

Alexandrino acreditava que o papel das empresas vai muito além do resultado financeiro. Para ele, o trabalho só fazia sentido quando gerava valor real para a sociedade. Seu jeito simples, ético e próximo de fazer negócios moldou uma cultura corporativa que atravessou décadas e permanece atual. 

Esse legado não está apenas na história, mas nas decisões que tomamos diariamente: na forma como conduzimos nossa governança, desenvolvemos lideranças e cultivamos relações de confiança com associados, clientes, parceiros e com a sociedade. Honrar esse legado é, sobretudo, garantir que o Grupo Algar siga relevante, íntegro e preparado para o futuro. 

Seis tendências em governança familiar para 2026 

A seguir, destaco sete tendências que vêm ganhando força no debate sobre governança familiar e que devem se consolidar ainda mais em 2026: 

  1. Sucessão planejada como processo contínuo 

A sucessão deixa de ser um evento pontual e passa a ser tratada como um processo estratégico de longo prazo, com formação estruturada, experiências externas e critérios objetivos de avaliação. 

  1. Equilíbrio entre cultura familiar e expertise externa 

Cresce a adoção de lideranças externas ou modelos híbridos, nos quais executivos atuam em sintonia com os valores da família, e contribuem para a execução da estratégia de longo prazo.

  1. ESG e propósito empresarial 

A governança familiar se conecta cada vez mais às agendas ambiental, social e de governança (ESG), com metas mensuráveis integradas à estratégia e às expectativas dos stakeholders. 

  1. Fortalecimento da transparência e da accountability 

Mesmo em empresas de capital fechado, aumentam as demandas por relatórios mais claros, prestação de contas e estruturas de governança mais robustas. 

  1. Foco em diversificação e resiliência 

Diversificação de receitas, fortalecimento de reservas e adaptação de modelos de negócio tornam-se prioridades, suportadas por uma governança mais ágil e preparada para cenários de incerteza. 

  1. Governança de riscos e cibersegurança 

Com a digitalização dos negócios, a proteção de ativos, dados e da continuidade operacional passa a ocupar um papel central nas estruturas de governança. 

Governança não é sobre tradição, mas sobre continuidade com responsabilidade. É ela que permite transformar legado em direção estratégica e sustentar a relevância do negócio ao longo das gerações.

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